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May
Arte moderda e contemporânea na Pinacoteca
Por Ricardo Archilha
A recém-reformada Pinacoteca do Estado, além do acervo permanente que você provavelmente já conhece, está com duas exposições imperdíveis. O famoso prédio de tijolinhos na Praça da Luz foi invadido pelas esculturas do artista suíço Alberto Giacometti; já a Estação Pinacoteca, a algumas quadras dali, recebe instalações, pinturas, vídeos, dentre outros, da neoconcretista Lygia Pape.
A primeira ocupa todo o primeiro andar do museu em uma trajetória daquele que foi um dos maiores expoentes da arte no século XX. Pinturas, rascunhos e as famosas esculturas do artista estão dispostas em ordem cronológica e temática, articuladas em torno de suas obras mais emblemáticas. A seleção também enviesa os laços de Giacometti com o surrealismo e o existencialismo através de pequenos textos de André Breton e Jean-Paul Sartre.

A mostra faz parte da coleção da “Fondation Alberto et Annette Giacometti”, de Paris. Annette foi a esposa do artista e é homenageada em várias obras, principalmente na sala dedicada aos bustos, desenhados ou esculpidos. O filme/trajetória “O que é uma cabeça? Ou a passagem do tempo” é exibido nesta mesma sala e é uma boa pedida para entender um pouco do trabalho do multifacetado artista. Do pós-cubismo ao surrealismo, passando por influências da arte africana, Giacometti encontra seu estilo desconstruindo suas figuras, atribuindo-lhe um aspecto com relação direta a sua expressão e visão de mundo.
A loja da Pinacoteca está com produtos desenvolvidos especialmente para a exposição e, após um café na charmosa lanchonete no subsolo do museu, você já pode seguir para a Estação para um pouco de arte contemporânea brasileira.
Espaço Imantado é a primeira exposição retrospectiva de Lygia Pape que, junto com Hélio Oiticica e Lygia Clarck, pertenceu a uma das mais importantes vanguardas da arte brasileira. Durante os anos 1950, esse espírito rebelde e inovador introduziu a abstração europeia à nossa arte e superou o impasse entre o corpo e a mente, o sensorial e o intelectual e olho e o espírito, como observa o crítico Guy Brett. A mostra revisa o papel protagonista da artista nessa fase e sua participação nas correntes vanguardistas do Grupo Frente e do Neoconcretismo.
A mostra viaja pelo universo criativo de Pape acompanhando seu amadurecimento através de obras que representam as diversas fases da artista. Poemas, diários e manifestos ajudam a compreender os significados e os objetivos de seu trabalho, dando um tom didático a exposição. Apesar das diversas telas, desenhos e vídeos, o destaque são as instalações. “Ttéias-Redes” ocupa uma sala inteira e é constituída de fios de cobre e prata que contrastam com as luzes artificiais e o escuro da sala. “Roda dos Prazeres” convida o espectador a experimentar os líquidos coloridos contidos em potes de porcelana que formam um grande circulo no meio do salão.










