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14

May

Arte moderda e contemporânea na Pinacoteca

Por Ricardo Archilha

A recém-reformada Pinacoteca do Estado, além do acervo permanente que você provavelmente já conhece, está com duas exposições imperdíveis. O famoso prédio de tijolinhos na Praça da Luz foi invadido pelas esculturas do artista suíço Alberto Giacometti; já a Estação Pinacoteca, a algumas quadras dali, recebe instalações, pinturas, vídeos, dentre outros, da neoconcretista Lygia Pape.

A primeira ocupa todo o primeiro andar do museu em uma trajetória daquele que foi um dos maiores expoentes da arte no século XX. Pinturas, rascunhos e as famosas esculturas do artista estão dispostas em ordem cronológica e temática, articuladas em torno de suas obras mais emblemáticas. A seleção também enviesa os laços de Giacometti com o surrealismo e o existencialismo através de pequenos textos de André Breton e Jean-Paul Sartre.

A mostra faz parte da coleção da “Fondation Alberto et Annette Giacometti”, de Paris. Annette foi a esposa do artista e é homenageada em várias obras, principalmente na sala dedicada aos bustos, desenhados ou esculpidos. O filme/trajetória “O que é uma cabeça? Ou a passagem do tempo” é exibido nesta mesma sala e é uma boa pedida para entender um pouco do trabalho do multifacetado artista. Do pós-cubismo ao surrealismo, passando por influências da arte africana, Giacometti encontra seu estilo desconstruindo suas figuras, atribuindo-lhe um aspecto com relação direta a sua expressão e visão de mundo.

A loja da Pinacoteca está com produtos desenvolvidos especialmente para a exposição e, após um café na charmosa lanchonete no subsolo do museu, você já pode seguir para a Estação para um pouco de arte contemporânea brasileira.

Espaço Imantado é a primeira exposição retrospectiva de Lygia Pape que, junto com Hélio Oiticica e Lygia Clarck, pertenceu a uma das mais importantes vanguardas da arte brasileira. Durante os anos 1950, esse espírito rebelde e inovador introduziu a abstração europeia à nossa arte e superou o impasse entre o corpo e a mente, o sensorial e o intelectual e olho e o espírito, como observa o crítico Guy Brett. A mostra revisa o papel protagonista da artista nessa fase e sua participação nas correntes vanguardistas do Grupo Frente e do Neoconcretismo.

A mostra viaja pelo universo criativo de Pape acompanhando seu amadurecimento através de obras que representam as diversas fases da artista. Poemas, diários e manifestos ajudam a compreender os significados e os objetivos de seu trabalho, dando um tom didático a exposição. Apesar das diversas telas, desenhos e vídeos, o destaque são as instalações. “Ttéias-Redes” ocupa uma sala inteira e é constituída de fios de cobre e prata que contrastam com as luzes artificiais e o escuro da sala. “Roda dos Prazeres” convida o espectador a experimentar os líquidos coloridos contidos em potes de porcelana que formam um grande circulo no meio do salão.

08

May

Esculturas britânicas no CCBB

Por Ricardo Archilha 

Em um tempo o qual a relação do corpo com a arte é sexualizada, politizada ou idealizada, Antony Gormley vai pelo lado contrário. “Eu uso o corpo como um espaço aberto, um espaço aberto de possibilidades”. O artista plástico nasceu em Londres nos anos 1950; estudou arqueologia, antropologia e história da arte e, antes de se especializar em escultura, viajou pela Índia e Sri Lanka onde estudou os preceitos do budismo.

Metal, madeira, cubos e espirais, nas mãos de Gormley, viram figuras humanas baseadas no corpo do próprio artista. The Angel of the North é uma de suas esculturas mais famosas. Trata-se de uma leitura contemporânea da figura de um anjo, com 20 metros de altura e 54 de largura, exposto num campo no norte de Londres. “Eu me interesso pelo corpo, porque o corpo é o local onde as emoções estão mais diretamente registadas”. 

O mais intrigante e também o mais bacana nas obras de Gormley é a reação que ela causa ao espectador à primeira vista. Muitas vezes expostas em lugares públicos e a céu aberto, de longe, parecem de fato pessoas reais. Another Place são três grandes esculturas com quase dois metros de altura e 650 kg (!) dispostas a mais ou menos três km de distância cada. A instalação já viajou para Nova York, mas acabou voltando para a praia inglesa de Crosby Beach, onde fora inicialmente exibida. 

Neste mês, os paulistas podem conferir o trabalho de Gormley nos três andares e no subsolo do CCBB. A exposição, inédita no Brasil, conta com maquetes, gravuras fotografias e vídeos que ilustram a diversidade do artista. E a mostra não se restringe apenas às paredes do museu; na mesma pegada de Another Place, a instalação Event Horizon reúne nos entornos do CCBB, 31 esculturas de corpos em tamanho real.

Watch out! Neste final de semana (sábado, 12 de maio) o CCBB vai promover um encontro com o próprio Antony Gormley sobre seu trabalho e processo criativo. A exposição fica em cartaz até as férias de julho, depois viaja para o CBB Rio e Brasília, respectivamente.

Antony Gormley – Corpos Presentes
12 até 15 de julho 
CCBB SP, de terça a domingo 

Palestra com Antony Gormley
12 de maio de 2012 / 15h
Os ingressos serão distribuídos 1h antes do evento

 

Ziggy Stardust assopra velinhas

Por Ricardo Archilha

The Rise and Fall of Ziggy and the Spider from Mars (ou apenas Ziggy Stardust) é praticamente uma viagem alucinógena. O icônico álbum do também icônico David Bowie completa 40 anos com corpinho de 15; música boa é assim, tá sempre em forma. De presente, a gente ganha uma reedição em vinil, CD e DVD (somente áudio), com faixas inéditas da época mais criativa de Bowie. #todasquer 

O álbum são as histórias do alter ego, o alienígena Ziggy Stardust e sua banda Spider from Mars, transformadas em canções. A Terra está a cinco anos de acabar. Não há esperanças. Então Ziggy recebe, em sonho, uma mensagem do infinito: a vinda de um “homem das estrelas” que poderá salvar o mundo. Então ele escreve Starman, um hino da esperança. De buraco negro em buraco negro, os homens das estrelas chegariam em Greenwich Village para um show. Cheio de discípulos e energias elevadas, Ziggy acredita  mais do que nunca que poderá nos salvar. A última canção, e também minha favorita, é o suicídio do rock. Para tornar-se matéria, o infinito faz de Ziggy pedaços, enquanto ele canta Rock’n’roll Suicide. Ufa! Tudo isso contado pelo próprio Bowie, numa entrevista para a Rolling Stone. 

O raio pintado no rosto, o macacão de lycra e os mullets vermelhos são referência até hoje, influenciando moda, cinema e música (Lady Gaga, oi?). Quem lembra da capa da Vogue (linda) com a Kate Moss travestida de Bowie? E que atire a primeira pedra quem nunca quis ser o cantor numa festa à fantasia! Se você nunca escutou o álbum, você não sabe o que é rock de verdade. Quem avisa amigo é. 

Emma Watson, Kristen Dunst e Paris Hiltos no novo longa de Sofia Coppola

Por Ricardo Archilha

Notícia boa: Sofia Coppola está em set! Emma Watson, Kristen Dunst e Paris Hilton são alguns nomes do elenco de The Bling Ring, com estreia prevista apenas para 2013 (mundo, por favor, não acaba). Já pode morrer de ansiedade? O filme vai contar a história real de um grupo de adolescentes fanáticas que invadiram casas de estrelas em L.A. - uma crítica explícita ao culto às celebridades.  

Não é a primeira vez que a diretora escolhe este tema. Encontros e Desencontros Um Lugar Qualquer não são histórias verídicas, mas mostram, pelas lentes impecáveis de Coppola, a vida e os dramas de dois atores - no primeiro, um cinquentão em fim de carreira e no último, um galã em crise existencial e a relação com a sua filha. 

Bling Ring será o terceiro trabalho de Kristen Dunst com Coppola. A atriz atuou no fofíssimo Virgens Suicidas, primeiro longa da diretora, e em Maria Antonieta, o qual deu vida a rainha mais famosa da França. O que chocou os mais acalcados foi o visual de Emma Watson, no seu primeiro papel desde Herminone. A atriz apareceu toda sexy, de tatuagem e  pernas de fora. 

Julgando pelos trabalhos anteriores de Coppola, não há dúvidas de que o filme será lindo lindo lindo. É esperar pra ver.

17

Apr

From Woody with love

Por Thalita Mota

A Itália sempre me fascinou! E agora mais ainda, já que comecei meu curso de italiano há pouco mais de um mês e estou encantada com a cultura do país que foi terra de grande parte de meus antecedentes. Pois bem, Woody Allen escolheu a hora certa para lançar seu novo filme To Rome With Love (Para Roma, com Amor em português). Faltam três dias para o lançamento oficial e, no Brasil, provavelmente será no começo de Junho. 

Escrito e dirigido por Allen, o filme narra histórias paralelas de diversos personagens italianos, americanos, residentes e visitantes; e, claro, no cenário fascinador de Roma. Conta com um elenco estupendo: Ellen Page, Alec Baldwin, Jesse Eisenberg, Alison Pill, Greta Gerwig, o próprio Woody e, como não poderia faltar, Penélope Cruz!

Em relação ao trailer, achei um pouco…bagunçado. Muita informação para pouco tempo. Mas, o que importa é que ainda estou louca para assistir ao filme! Salve, Woody! Vamos alimentar meu amor pela Itália!

Música boa (e em dose dupla)

Por Ricardo Archilha

Procurando rolê para sexta? Bom, saiba que estarei em um dos meus lugares favoritos do baixo Augusta, o Studio SP. É que vai rolar show do Copacabana Club, e quem me conhece sabe que eu adoro. Aliás, eu estive no último show da banda, também no Studio, e elogiei horrores num textinho que eu publiquei aqui, olha só. O quarteto curitibano acabou de voltar da gringa e com certeza estão bem felizinhos com os shows que fizeram em Londres. A setlist deve ser a mesma, começando com Tropical Splash e passando por sucessos como Just Do It e Mrs. Melody.

Ah, e tem outra coisa: quem chegar na casa até às 22h, além de não pagar a entrada, ainda confere um esquenta com o violãozinho folk dos caras do Whoong. Para quem não conhece, o grupo indie lançou, em novembro do ano passado, o primeiro LP Hello, my name is Whoong, sem selo de nenhuma gravadora (dá para fazer o download das músicas pelo site). 

Música boa em dose dupla… Até lá!

Serviço: WHOONG + COPACABANA CLUB - Studio SP

Rua Augusta, 591. 20 de abril, a partir das 21h. R$25

16

Apr

Festival BaixoCentro encerra com gramado artificial no Minhocão

Por Mariana Amorim


Liderado por um grupo de produtores culturais, o BaixoCentro é um projeto sem fins lucrativos e feito de maneira totalmente independente de ONGs, empresas e governo. Foi criado para aproveitar o espaço público na região central de São Paulo. O evento teve sua primeira edição este ano, entre os dias 23 de março e 1 de abril. A iniciativa trouxe mais de 120 atividades, como teatro, música, intervenções artísticas e cinema de rua, de graça e ao ar livre, para enfeitarem o centro velho de SP.

Para encerrar a primeira temporada do festival, o BaixoCentro preparou o Jardins Suspensos. Em pleno Elevado Costa e Silva foi possível presenciar uma cena atípica para o local. Grama sintética, piscina, jogos e piquenique foram algumas das atrações que o grupo proporcionou.

Foto: Mariana Amorim

Com início às 10h00 da manhã, o público chegou tímido e sem graça. Algumas crianças com idade entre 4 e 7 anos brincavam na grama. Mas só depois que moradores do bairro entraram na piscina é que o pessoal começou a se soltar, deitar no gramado, andar descalço e aproveitar o pedacinho de lazer tão distinto daquela realidade.

 “As Ruas São Para Dançar” foi a principal mensagem que o grupo espalhou por toda região dos bairros de Santa Cecília, Vila Buarque, Campos Elísios, Barra Funda e Luz. Seja em forma de cartazes, grafites ou colagens. 

Foto: Mariana Amorim

Além disso, no entorno do Minhocão outras intervenções também estavam acontecendo. Como o caminhão-pipa que lavou as ruas do centro com água de cheiro e flores, uma forma de ironizar a política de limpeza da região. E ainda, aproveitaram 1 de abril, dia da mentira, para interagir com pedestres que passavam pelo Elevado para pedir-lhes que escrevessem em papel uma mentira sobre a cidade de São Paulo. Críticas à estrutura, segurança e ao prefeito foram as mais recorrentes.

Foto: Mariana Amorim

E por fim, debate sobre arte urbana uniu grandes nomes da cena cultural de São Paulo, como Baixo Ribeiro da galeria de arte Choque Cultural e do coletivo BijaRi. A reflexão dos curadores e colaboradores do BaixoCentro foi sobre o impacto da arte e das intervenções do Estado na cidade e principalmente naquela região. Suas consequências e como a arte pode se inserir nesta nova forma de interagir com o meio urbano proposto pelo grupo.

Essa foi uma iniciativa nova e inteligente de fazer com que as pessoas notassem e aproveitassem a cidade e, principalmente, o centro velho de São Paulo, que hoje está esquecido e praticamente abandonado.

Que venham as próximas temporadas do Festival BaixoCentro



15

Apr

É uma banda que honra sua terra!

Por Thalita Mota

Quando fui convidada por um amigo para assistir à apresentação de uma banda de Recife no Centro Cultural Rio Verde nem cogitei em hesitar. Mal me recordava do nome, nada tinha ouvido e nem mesmo procurado sobre; gosto de me deliciar à primeira impressão, sem precedentes. Apenas por serem de Recife já foi o bastante para me atrair; cidade que, em minha opinião, reúne um multiculturalismo pitoresco e uma pureza única, além de ser berço de grandes ritmos musicais e um folclore significativo. Talvez pela influência holandesa no período colonial ou pela concentração de africanos, não sei. Ô terra abençoada! Ô sotaque expressivo!

Pois então, fui com fé conferir o show dos Mamelungos. Cinco músicos talentosos e de estilos distintos formam a banda, e essa pluralidade torna difícil a rotulação musical. Do rock ao samba, passando pelo mangue beat e reggae. É, talvez isso dê uma noção do que é que se passa. É um bom casamento a junção dos instrumentos usados, - muitos típicos de Pernambuco - que dão uma sonoridade suave e presente e um arranjo que preenche todos os campos da mente, fazendo com que prestemos atenção somente na batida. Genial! Uma noite épica!

Depois do show, fomos parabenizá-los pelo excelente som que fizeram e, entre conversas trocadas, um dos integrantes comentou que pretendia mudar-se para São Paulo logo que pudesse. Eu, pensando daquilo uma audácia, disse a seguinte frase: ”Mas por quê? Cê mora numa terra abençoada e vai largar pra vir morar nesse aglomerado de poluição e trânsito??” E eis que me responde: ”Ôxi! Cê tá maluca, é? Num quero ficar pobre não, em Recife eu vou virar é mendigo! E aqui eu vou é ficar rico!” 

Pois é… E ele não disse nada além da verdade. Ironia pensar que uma das cidades brasileiras que mais traz cultura de essência e nascença possa ter tamanha carência de rentabilidade a ponto de fazer tanta gente migrar para o sudeste. E não é de hoje. Pelo contrário, e já dizia Graciliano Ramos!

A arte não recebe o valor que merece. Enquanto tentamos mudar o mundo e implantar um mérito digno ao melhor jeito que o ser humano consegue exprimir-se, esbanjemos de uma boa música para enfrentar mais um dia!

06

Apr

Bom e de graça

Por Mariana Amorim

Festival da Cultura Inglesa está chegando. Ano passado tive a oportunidade de trabalhar na assessoria do evento, e vou falar pra vocês que foi incrível. Vi de perto Miles Kane, um fofo.

E mesmo sendo uma informação não oficial, já que no site do evento ainda não apareceu nada, a LineUp Brasil (http://bit.ly/HkE8DR) divulgou a suposta participação do Franz Ferdinand no festival. E a melhor parte, de graça.

Diferente dos anos anteriores (o festival está na sua 16ª edição), que as atrações eram só na cidade de São Paulo, esse ano outros municípios também poderão aproveitar o pedacinho britânico no Brasil. Como Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba. Pessoal do interior, ARRASEM!

Em São Paulo os shows acontecem dia 27 de maio, no Parque da Independência. Outras bandas britânicas já confirmaram presença, como o trio We Have Band e a The Horrors. E também, a Banda Uó, que eu acho o máximo, Garotas Suecas, King Crab, Broth3rhood e Os Sociopatas.

Além de música também rolam espetáculos de teatro, exposições, filmes, danças, esportes e outras atividades que envolvem a cultura inglesa. Anota aí, vai acontecer nos dias 25 de maio a 30 de junho. 

Agora fica a ansiedade para confirmarem a presença do Franz Ferdinand por aqui. 

Serviço: CULTURA INGLESA FESTIVAL - Parque da Independência.
Avenida Nazareth, Ipiranga. Dia 27 de maio, a partir das 11 horas. GRÁTIS.

03

Apr

“Dance, dance, dance, otherwise we are lost”

por Ricardo Archilha

Pina é, sem dúvidas, um projeto ousado, grandioso. Não apenas pelo fato de ser o primeiro filme artístico em 3D ou por tratar-se, afinal, de quase duas horas de… dança. O documentário de Win Wenders em homenagem à coreógrafa Pina Bausch (1940-2009) pode ser mais do que aparenta ser; basta deixá-lo penetrar pelos óculos e atingir a alma - o que não é difícil. Mais do que belas imagens, o diretor leva à tela pedaços (através de filmagens antigas, depoimentos e reconstrução de coreografias) de quem foi esta mulher, que com a sua arte, o seu trabalho duro e a sua genialidade, transcendeu a dança a um patamar jamais explorado. 

Quebrar tradições não é uma tarefa fácil. Em 1973, com 33 anos e já formada em Dança e Pedagogia da Dança, Baush foi convidada para dirigir o Balé do Teatro de Wuppertal, o mesmo em que começara a sua carreira. A ousadia avant-garde da coreógrafa chocava o público que, muitas vezes, a vaiava ou retirava-se no meio da apresentação. É que no palco, os dançarinos de Pina não dançam; eles correm, pulam, gritam, choram, desafiam-se a cada movimento. Teatro-dança era como que viriam a chamar o seu trabalho. Entretanto, para ela, trata-se de uma “abordagem psicológica individual”. Dela, dos dançarinos e dos espectadores. 

A produção do documentário começou em 2009, com Baush ainda viva, que junto com Wenders, chegou a  gravar quatro de suas peças que estariam no filme: “Le Sacre du Printemps” (1975), “Kontakthof”(1978); “Café Muller” (1978) e “Vollmond”(2006). O vazio deixado pela sua morte impediram o diretor de continuar o trabalho, entretanto, para completá-lo, Wenders diz ter buscado adotar o método da própria Pina: questionar os seus dançarinos. Ele busca olhar através das pessoas, assim como Pina, e diz que, o filme é exatamente sobre esse olhar.  ”O que me interessa não é como as pessoas se movem, mas sim o que as move”, diria a coreógrafa. 

No filme, fica muito clara a relação da artista com os seus pupilos. Através dos depoimentos (explorados por Wenders de maneira peculiar, em que a câmera se aproxima dos rostos que permanecem calados e, em off, vem a narração) é construída a imagem de alguém que conhecia os limites e as dificuldades de cada um com quem trabalhava, ao mesmo tempo em que os encorajava, os forçava e os libertava, enxergando-os como pessoas, antes de dançarinos. Sobre os desafios, ela costumava dizer: enlouqueça. Uma das dançarinas diz que para atingir o estado cobrado por Baush, imaginou-se arrancando os cabelos.  

O filme de Wenders é um pouco de loucura, uma anarquia simétrica muito bem editada, filmada e pensada. A fotografia e a direção de artes são bárbaras, se não, surreais. As cenas acontecem em em cenários ao ar livre da Europa, palcos, salas e até em um túnel com grafite dos Gêmeos… A dança conversa com o ambiente, com o mundo e é esse um dos pontos também enviesados por Wenders. Fala-se, em certo ponto da fita, a importância que Baush dava aos elementos da natureza, característica essa captada muito bem pelo diretor. Água, terra, ar e fogo permeiam o filme junto com suas significâncias: dor, leveza, agonia, liberdade… O corpo liberta-se através da dança e esta sempre em simbiose com a natureza. “Dance, dance, dance, senão estamos perdidos”, ela costumava dizer. 

Com dançarinos de diversas nacionalidades, a multiculturalidade não é deixada de lado por Wenders, que reúne 40 tipos de música de países e épocas diferentes. A coreografia “Água” (2001), por exemplo, é dançada ao som de “Leãozinho”, de Caetano Veloso. Um dos depoimentos, também é pautado por uma brasileira. “Pina foi embora tão rápido, tão de surpresa… Eu acho que no fim, ela deixa tudo atrás de si e se sente livre; por isso eu queria oferecer a ela este momento de leveza, de uma sensação sem peso…”.

O que Wenders ofereceu a Pina, e ao mundo, foi esta que ouso dizer, ser uma obra-prima. E o que podemos oferecê-la é a libertação, seja pela dança, seja como for, trata-se de deixar a alma transcender o corpo e… dançar. 

Rock’n’roll Guanabara

Por Ricardo Archilha

“Este é um ano de mudanças para todos nós.” Foi com essa frase e um Feliz 2012 atrasado que Camila Cornelsen, vocalista do Copacabana Club, abriu o último show da banda. De saia de vinil e toda sorrisos, a cantora referia-se à nova fase do grupo - agora com dois novos integrantes. As boas-vindas a André e Júnior, guitarra e baixo respectivamente, veio junto com uma recepção positiva dos que estavam presentes no Studio SP, na última sexta-feira, dia 2.

Com nome Guanabara, a banda formou-se em Curitiba em meados de 2007. Canta em inglês e faz parte do seleto grupo de bandas indie que conquistaram o mainstream. Rock moderninho, grooves eletrônicos e um toque de tropicália é a fórmula do Copas, que conquistou até o Kanye West. O rapper postou o primeiro video clip do grupo, Just Do It, garantindo passaporte e passagem para a gringa; na agenda, além de shows pelo Brasil, datas em NY, Austin e outras cidades nos EUA. O Myspace, que no início tinha 20 views por dia, passou a ter 200. De um EP e um clipe gravado a um álbum completo e sucesso internacional; e eles já estão param por aí…

Todo o cunho tropical que o nome da banda carrega é mostrado no palco, onde eles não param um segundo. Cacá – como é mais conhecida a vocalista – pula, dança e grita. Chama o público para curtir e é difícil ficar parado. Ms. Melody é a mais animada do show e, a essa altura, a cantora já saltou do palco para a pista e está interagindo com o público. É claro que não podia faltar a emblemática Just Do It, mas o sonzinho praieiro da música é intimidado por baladas mais empolgantes, como Backyard, cujo refrão é cantado aos berros. Sex Sex Sex fecha a noite com direito a coreografia que faz jus ao título canção. “Usem camisinha!”, ela adverte, bem-humorada.

O show acabou, mas a DJ da casa é esperta e já coloca Florence para tocar. Enquanto desmontam os instrumentos, não deixam de dar atenção aos fãs, que não são muitos, mas são fiéis. Dá pra perceber que os tietes acompanham a banda em todas as apresentações e Cacá até sabe o nome de alguns. Uma garota se aproxima, chama a cantora, dá um abraço e cochicha algo no ouvido dela. Aí a conversa não para mais. Eram mais de 3h quando deixei o Studio SP. O show, que estava previsto para começar à 1h, atrasou mais de uma hora e fez com que a minha companhia fosse embora. Curti sozinho e fiquei com aquele gosto de quero mais. Sem carona, subi a Augusta a pé, mas com um sorriso na cara. O #copas ganhou mais um fã.

Jornalismo, como se sabe, tem de estar no sangue; jornalismo cultural tem de estar no DNA.
Daniel Piza